Senhora poderosa e eficaz: uma leitura introdutória do livro etíope d’Os milagres da Beata Virgem Maria

Alfredo Bronzato da Costa Cruz

Resumo


Como forma de enfatizar a união hipostática das Naturezas humana e divina na Pessoa de Jesus Cristo, a tradição cristã etíope, assim como sua correligionária copta, concedeu à figura da Virgem Maria um local central em sua teologia, liturgia e prática devocional. Nesta antiga comunidade afro-oriental, insistiu-se sempre mais no papel da Mãe de Deus como medianeira de graças e operadora de prodígios, papéis que se expressam também na arte religiosa e em numerosos textos, dos quais se destacam as coletâneas de milagres atribuídos à Virgem, verdadeiro sucesso editorial no medievo etíope. O presente artigo objetiva reconstituir de forma introdutória a difusão destes relatos, assim como a imagem de Maria que deles emerge. Parte para isso de uma leitura de uma destas coletâneas, traduzida ao inglês e publicada com extenso comentário por Sir Alfred Wallis Budge (1857-1934) em Londres em 1900. Para a preparação desta edição, Budge baseou-se na leitura de dois dos manuscritos etíopes constantes na coleção de Valeria Susan, Lady Meux (1847-1910). Alguns dos episódios aí constantes foram originalmente elaborados em copta ou em alguma das outras linguagens do entorno mediterrânico, e são bons para pensar tanto as especificidades da tradição cristã etíope quando a sua posição mais geral no ecúmeno cristão.


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