Amar e temer a Deus, obedecer e honrar os soberanos: A construção da soberania pela mise-en-scéne litúrgico-festiva-cortesã (Rio de Janeiro, 1808-1822)

Luciano Rocha Pinto

Resumo


Resumo: Aos 8 de março de 1808, a Família Real e sua corte desembarcaram na cidade do Rio de Janeiro. Aos seus olhos a cidade parecia suja, doentia e imoral. Diante do teatro dos vícios, protagonizado por escravos, forros e pobres, impôs-se a ritualidade cortesã. Entendido como um dispositivo de poder, o ritual transmitia as formas de sociabilidade aceitáveis. O discurso religioso ancorava suas práticas e tramava uma determinada racionalidade política onde o corpo do soberano, articulado aos atributos da divindade, ganhava contornos positivados. Os fundamentos da moral cristã iluminam, assim, o modo de pensar os homens individualmente, hierarquizando-os social e politicamente. Por meio dos cerimoniais litúrgico-festivos buscou-se europeizar o velho mundo colonial e docilizar os indivíduos.

Palavras-chave: Padroado. Século XIX. Relações de poder. Produção de subjetividade.

Abstract: On March 8, 1808, the Royal Family and its court disembarked in the city of Rio de Janeiro. For them, the city looked dirty, unhealthy and immoral. In view of the theater of the vices, carried out by slaves, freed slaves and the poor, the courteous rituals were imposed. Understood as a power device, the ritual transmitted acceptable ways of sociability. The religious discourse anchored its practices and framed a determined political rationality where the body of the sovereign, linked to the divinity’s attributes, gained positive traces. The foundations of the Christian morality illuminate, thus, the way of thinking of the individual man, organizing them hierarchically and politically. By means of the liturgical-festive ceremonials, they sought to Europeize the old colonial world and calm the individuals.

Keywords: Patronage. XIX Century. Power relations. Subjectivity production.

 


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